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Artigos

12/02/2015

Vontade e método

Vontade e método

Para algumas organizações o que vale é basicamente a motivação, o ânimo, a vontade. Dizem os gestores que sem motivação os resultados não aparecem, por isso estão constantemente investindo em palestras motivacionais. A motivação tem como função fazer com que a pessoa tenha vontade de trabalhar, que ela queira, busque, tenha ânimo para produzir. Para outras organizações o peso maior está sobre o método, sendo que o aspecto motivacional fica um tanto de lado, cabendo aqui um discurso mais racional, de cunho mais prático. Tanto na organização voltada para a motivação, quanto naquela voltada para o método, os resultados irão aparecer. No entanto, há uma limitação quando se fala em vontade, pois por mais que se tenha vontade, a falta de um método pode conduzir tudo ao fracasso. A vontade pode continuar e o fracasso se repetir, isso intermináveis vezes. A não ser que se tenha um complexo de Sísifo, que é começar algo que já sabe que vai dar errado, a sugestão é continuar com a vontade, revendo o método.

Infelizmente não é assim tão simples aprender e aplicar métodos, pois em muitos casos o método freia a vontade, o ímpeto. Por exemplo, um vendedor que vai na vontade, no ânimo, fala mais. Com isto, pode se colocar de maneira inadequada muitas vezes. Perde alguns negócios, mas vivencia a vontade. Não há nada de errado com isso, é o estilo dele, faz parte dele vivenciar a venda de maneira subjetiva. O que logo começa a aparecer é que certos clientes não são atendidos a contento e a organização percebe que a qualidade técnica do vendedor limita sua produtividade. Não é diferente no setor financeiro, mesmo com toda a vontade possível, a falta de método pode gerar graves problemas. A vontade pode criar relacionamentos, trazer melhores propostas, mas a falta de método faz com que a pessoa não perceba onde e como pode melhorar o desempenho da organização.

Com relação ao tema aqui exposto, um filme que vale a pena assistir se chama “Rush – No limite da emoção”. Este conta a história da temporada de 1976 da Formula 1, tendo como centro do enredo a competição entre James Hunt e Niki Lauda. James Hunt era jovem e conhecido em sua época pela vontade com a qual vivia a vida. Essa vontade podia ser traduzida na intensidade com que fazia tudo, desde a vida profissional até o trabalho. Do outro lado Niki Lauda, também jovem, mas de uma vertente diferente, muito mais metódico e calculista. O diferencial entre Hunt e Lauda nas pistas era o modo como cada um conduzia seu carro, a vontade de um contrastava com o método do outro. Para Lauda, por mais que houvesse vontade, o método vinha em primeiro lugar, enquanto Hunt vivia a vida ao máximo colocando a vontade em primeiro lugar.

Nas telas dos cinemas, em histórias contadas em programas sensacionalistas, em livros de autoajuda e tantos outros materiais, o destaque geralmente se dá na vontade. No entanto, a vontade limita, o próprio James Hunt é prova disto: sua vontade levou a conquista de apenas um campeonato, enquanto Niki Lauda foi tricampeão de Formula 1.

Em Filosofia a vontade, como apontada por Schopenhauer, pode ser a forma como algumas pessoas constroem sua representação de mundo. No entanto, outros tantos optam por Descartes, filósofo para o qual o método ganha importância e torna a ciência confiável. Não recomendo a disputa entre a vontade e o método, mas a união das duas, uma equipe com vontade e método. Quando esse for o cenário, com certeza o desempenho será o melhor possível.

Numa organização, parafraseando Arthur Shcopenhauer, os resultados virão de forma mais expressiva quando tivermos “O mundo com vontade e método”. A vontade, como elemento motivacional, que também pode ser dado pela organização e o método, como um caminho seguro que conduz ao resultado.

Rosemiro A. Sefstrom

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