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Artigos

19/11/2014

Vida de aquário

Vida de aquário

“Procurando Nemo”, este é o nome de um filme que conta a história de um peixe que fica órfão de mãe logo cedo e é criado por um pai superprotetor. O pequeno Peixe da espécie Palhaço tem uma nadadeira menor que a outra, condição que faz com que o pai seja ainda mais cuidadoso com o filho. Em uma viagem com os colegas da escola Nemo vai além dos limites estabelecidos pelo professor e acaba sendo capturado pelos seres humanos. Levado à terra firme, é colocado no aquário de um consultório odontológico. Ali encontra outros peixes e moluscos com os quais vai conviver. Cada um deles foi raptado de lugares diferentes e obrigados a conviver em um mesmo ambiente. A falta de escolha em estar ali, assim como a vontade de fugir os unia.

Em algumas organizações o cenário não é diferente: pessoas de diferentes lugares, culturas e formação acadêmica são colocadas num mesmo ambiente. Alguns podem dizer que elas estão ali por vontade própria, ou seja, que as pessoas escolheram a empresa e as pessoas com quem trabalham. Infelizmente não é bem assim, a maior parte das pessoas trabalha na empresa na qual teve oportunidade e com pessoas com as quais não escolheu estar. Dentro deste ambiente chamado de organização estas pessoas convivem ao menos oito horas por dia, cada uma cumprindo seu papel. Nesta vida de aquário, assim como no caso de Nemo, algo em comum os une. O que seria?

Alguns autores pontuam que o que une estas pessoas são suas necessidades, pois cada um necessita de alguma coisa. Outros ainda dizem que o que une as pessoas na organização são os valores da organização. O que acontece, de fato é que cada um que foi colocado dentro do aquário cumpre sua função e está ali de acordo com o seu propósito. Cabe ao gestor ser aquele que capta no mundo à sua volta pessoas que cumpram a função organizacional. No entanto, não é tão simples, pois além de escolher as pessoas pela função que cumprem enquanto profissional, é preciso ainda cuidar como ela é enquanto pessoa.

Olhando de forma criteriosa para algumas organizações é possível observar que as pessoas cumprem muito bem o seu papel técnico, mas não conseguem se relacionar umas com as outras. Um dos maiores exemplos da importância de cuidar dos elementos técnicos e de relacionamento são os times de futebol. Alguns times tem um elenco de craques, seria um time ideal dado o alto nível de cada elemento que o compõe. No entanto, a má qualidade de relacionamento faz com que o time não obtenha os resultados esperados. Cada pessoa tem um jeito de ser de modo que, ao entrar em contato com o outro, pode ou não formar interseção.

É fato que alguns times não têm jogadores expressivos enquanto individualidade, mas enquanto time conquistam bons resultados. O que o gestor precisa observar são os elementos que cada um dos membros da equipe ou time trazem para o grupo quando se colocam em interseção. Os espaços de interseção são os espaços onde uma pessoa entra em contato com a outra ou outras. O melhor jogador do time pode colocar como elemento de interseção sua insatisfação com a organização, colaborando assim para a insatisfação da equipe com o time. Se outros colocarem o mesmo elemento, a insatisfação, aos poucos cada jogador tende a seguir seu caminho.

O treinador ou gestor mais habilidoso sabe como inserir elementos no grupo que atuem no espaço de interseção como motivadores. Como treinador ele pode colocar como elemento comum o fato de que o sucesso depende do grupo. Assim, não é ele quem determina o sucesso, mas a união do grupo, inclusive dele. Outro componente que pode ser colocado no espaço da interseção seria uma premiação para o grupo caso atinja a meta. Enfim, gerir o grupo, em boa medida, é estar atento aos elementos que estão em trânsito nas áreas de interseção.

Rosemiro A. Sefstrom

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