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Artigos

30/08/2013

Parei aos 50, e agora?

Parei aos 50, e agora?

Queridos leitores, que vocês estejam bem. Algumas pessoas têm me encontrado e me perguntado se me aposentei. Elas sabem que recentemente passei a presidência da Anjo. Já outras, um pouco mais informadas, querem saber se vou para casa cuidar do meu primeiro neto, o Theo. Confesso que no rol de curiosos, tem os preocupados: Beto, o que vais fazer agora sem empresa para administrar?

Parei aos 50, e agora?

Para todos, pacientemente, explico analogicamente em forma de metáfora, e uso uma que gosto muito, pois procuro vivenciar a cada dia. Falo da caminhada.

Não importa se for de uma semana ou de um mês, a caminhada deve ser encarada com responsabilidade. Por isso, sempre antes dela, que seja de um, dois ou até de mais meses, é necessário se preparar. Para parar aos 50, eu me preparei.

Para se caminhar bem é necessário, além de se preparar, saber mais ou menos o trajeto, as dificuldades e decidir pelo peso da mochila. Isso não garante nenhum sucesso, mas pelo menos diminui muito os riscos previsíveis que porventura possamos encontrar na caminhada. Para parar aos 50 eu fiz terapia, fiz projeções e procurei ter claro quais caminhos não queria percorrer, assim, o que será percorrido, vem por eliminatória.

Agora, já em franca caminhada, procuro me observar, e quando me pego um pouco ofegante, diminuo o ritmo e me permito olhar as flores, curtir os pássaros, perceber os animais e sentir o vento que acaricia meu rosto e o cheiro adocicado que vem do mato.

E quando, mesmo depois de descansado, me pego cansado, oportunizo-me a sentar. Pode ser em um banco de parada de ônibus, em um tronco de árvore ao sol, ou em uma frondosa sombra. Paro, pois decidi parar.

Claro que sei que o que as pessoas estão preocupadas é com a aposentadoria de muitos empresários e executivos que jamais tiraram férias - e que alguns ainda se vangloriam por isso - e que não sabem fazer outra coisa se não trabalhar. Aposentam-se e logo em seguida morrem. Sei e gosto de trabalhar, mas agora, aos 50, me permiti trabalhar de outra forma, de outro jeito. Mais calmo, mais tranquilo, com a mochila mais leve.

Já não tenho mais a força dos meus 18 e sei disso. Mas, em compensação, sinto-me fortalecido intelectualmente e é aqui que quero continuar focando os passos dessa minha nova jornada. E foi justamente na caminhada que também descobri, há algum tempo, que a felicidade não é um lugar, mas o caminho. E de um jeito ou de outro, vou continuar caminhando, digo, trabalhando, aos 50, aos 60, quiçá aos 100 anos, só que de um jeito não convencional.

Isso é assim para mim hoje.

Beto Colombo

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