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Artigos

19/06/2017

Contrata-se

Contrata-se

Sou um Filósofo que, a partir das ferramentas da Filosofia Clínica, desenvolvi um trabalho voltado para o ambiente organizacional. Comecei por identificar o perfil das organizações, identificar o perfil da equipe, dos líderes e aos poucos desenvolver a compreensão prática do que vem a ser “a pessoa certa no lugar certo” pregada por Jim Collins. O autor elabora seis pontos-chave que devem ser observados para que a contratação seja eficaz e atinja o seu propósito. No entanto, o que o autor deixa ao largo é algo fundamental, esta “pessoa certa” só será de fato certa se estiver na organização certa. Eis um dos grandes desafios dos profissionais de Recursos Humanos, encontrar a pessoa que tenha predisposição a assumir os valores da empresa.

O primeiro passo para esta empreitada é definir quem é a organização. Essa definição parte de elementos simples tendo, por exemplo, qual é o seu negócio. Parece algo simples, até mesmo primário, mas existem diversas organizações que não sabem exatamente qual é o seu negócio e isso torna mais difícil saber se a pessoa que será contratada tem a ver com a organização. Também se faz necessário identificar qual seria a estrutura fundamental dos valores da organização, não aqueles que estão nos “quadrinhos” espalhados pela organização, mas aqueles que de fato são vividos. Sem que o profissional de Recursos Humanos tenha clareza de quem é a empresa é como arranjar um casamento sem saber qual seria a noiva.

Um segundo ponto, não menos essencial, é identificar as necessidades que o profissional contratado terá que atender. Estas necessidades estão nas metas, nos objetivos, nas tarefas e inclusive no propósito deste ao longo de seu tempo na organização. Quando a organização sabe o que quer do profissional, fica mais fácil ao recrutador saber qual será a pessoa mais adequada para ocupar o espaço, visto que terá de identificar características que deem conta desta expectativa. A falta de clareza do que quer faz com que a empresa procure o profissional bom e, em alguns casos caro, que não conseguirá desenvolver o seu trabalho. Para não fugir às comparações, a empresa precisa de martelo e busca no mercado chave de fenda.

No terceiro elemento entra a visão de futuro, ou seja, onde a organização quer chegar nos próximos cinco, dez, vinte anos. Saber quais são os horizontes almejados faz com que o processo seletivo tenha em vista profissionais que se encontram em curva de ascensão e com possibilidade de se desenvolver junto com a organização. Em algumas organizações o profissional é contratado para atender às expectativas atuais e em pouco tempo está defasado. Nem todo profissional continua se desenvolvendo eternamente, em algum momento da vida profissional ele ficará para trás, não terá mais condição de se desenvolver. As contratações acontecem hoje, mas precisam contemplar a visão da organização, sob pena de aumentar as chances de demissão ou rescisão no curto prazo. Uma organização que não sabe para onde vai pode contratar um avião para ir até à esquina.

Um último ponto que considero fundamental é ter claro como é que se quer chegar nos seus objetivos. Cada profissional tem modos diferentes de chegar aos mesmos lugares, sei que os processos podem definir o modo como se chegará, mas mesmo com processos, são pessoas que dão conta deles. É uma pergunta que faço com frequência para as equipes de vendas: você ficaria com um profissional em sua equipe que é um campeão de vendas, mas não segue os valores da empresa? A resposta é simples: não. Isso porque ele está levando aos clientes uma imagem deturpada da organização. Se o profissional não assume os valores, a cultura, o jeito de ser da empresa é bem provável que seja um contra testemunho mantê-lo no quadro. Se quero sair de minha casa e ir ao centro da cidade posso ir de diversas maneiras, mas se quero ir de carro, preciso chamar um táxi e não ir para a parada de ônibus.

Estes quesitos citados formam o conjunto simplificado de conhecimentos que um profissional de Recursos Humanos precisa ter da organização em que trabalha para selecionar a “pessoa certa para o lugar certo”. Lembrando ainda que é preciso paciência, pois no mercado existem muitos profissionais bons, mas não quer dizer que seja para a sua empresa. Ter a clareza que não se escolhe o melhor ou o menos ruim, mas a pessoa certa é fundamental para assertividade na contratação e maximização dos resultados na operação. Conhecer a organização e ter uma ferramenta adequada de análise do candidato me deu a oportunidade de trazer as pessoas certas para as organizações certas.

Rosemiro A. Sefstrom

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