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Artigos

10/07/2013

Singularidade

Singularidade

Queridos leitores que vocês estejam bem. Recebi um e-mail de um amigo empresário depois do seminário que proferi sobre Filosofia Clínica nas Organizações. Neste seminário, estudamos Schopenhauer, principalmente na parte de seus escritos, quando ele nos diz que o mundo é a nossa representação: “O mundo é a minha representação (...) tudo que existe, existe para o pensamento, isto é, o universo inteiro apenas é objeto em relação a um sujeito, percepção apenas, em relação a um espírito que percebe numa palavra, é a representação”.

Sendo assim, existem tantas representações de mundo quanto pessoas existem sobre a Terra. “Como vou me posicionar diante de um ponto problemático como esse em minha empresa?”, perguntou o empresário.

Veja só, disse ele: “Eu tenho uma visão de mundo que não é a mesma visão de meu diretor, que por sua vez tem uma visão diferente de seus subordinados, que por sua vez tem visões diferentes entre si, sendo às vezes impossível estabelecer uma única representação de mundo até mesmo num pequeno departamento em nossas empresas”.

Bem, em Filosofia Clínica se aprende a respeitar a representação do outro, o que não significa aceitá-la, vivenciá-la, mas compreender que o outro pode não ver o mundo da mesma maneira que eu vejo, que ninguém deve ter o monopólio da palavra e muito menos da verdade, que as pessoas não têm sempre as respostas e que a resposta provavelmente estará ligada ao seu acervo, a seus aprendizados durante sua história de vida. Em Filosofia Clínica, não há conceito de normalidade, anormalidade, rótulos, teorias.

Para nós, Filósofos Clínicos, o ser humano é plástico, flexível e está inserido num contexto muito específico que é o seu contexto. Ele é único e sem a sua historicidade não é possível compreendê-lo.
Assim, a Filosofia Clínica molda-se ao indivíduo por intermédio de uma relação dialógica, de um a posteriori, fornecido pela historicidade. Antes disso, nada sabemos diante do ser que se encontra diante de nós.

Se mais pessoas soubessem disso, muitos conselhos, agendamentos, dicas que fazem tanto estrago na malha intelectiva poderiam ser evitados.

Lembrando que isso é assim para a Filosofia Clínica e para mim hoje.

Beto Colombo

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