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Artigos

06/11/2013

Hino de Santa Catarina

Hino de Santa Catarina

Querido leitor. Ouvindo recentemente o programa Som Maior News – Última Edição, ancorado pelo radialista João Nassif, tive que parar o carro, pois não podia seguir dirigindo naquela situação: gargalhava e não era pouco. Falava da obrigatoriedade de tocar o Hino de Santa Catarina nos estádios. Nassif, irreverente, não se aguentou e disse: “Por que não tocam a música Tordilho Negro então? Pelo menos o povo conhece e vai cantar junto”. E, com a sua digital, finalizou: “Presta atenção, era só o que me faltava”.

Mas afinal, que hino é esse que não fala das nossas praias, das nossas montanhas, da nossa história, da nossa gente, da nossa cultura? De onde vem isso?

Eis a letra da primeira estrofe: “Sagremos num hino de estrelas e flores, num canto sublime de glórias e luz. As festas que os livres frementes de ardores, celebram nas terras gigantes da Cruz! Quebram-se férreas cadeias, rojam algemas no chão; do povo nas epopeias viva a luz da redenção”.

Querido leitor, esse hino foi composto pelo poeta Horácio Nunes Pires, nascido no Rio de Janeiro, e pelo músico José Brasilício de Souza, Pernambucano. Percebe-se que o assunto chave para a composição era a libertação dos escravos. E, em minha opinião, não espelha a nossa realidade, nem da época e nem de hoje.
Independente de qualquer apreciação interna do texto, o fato é que o hino de 1892 não se popularizou. Poucos o conhecem e sabem cantá-lo e essa vergonha já perdura há mais de cem anos. Melhor, vale dizer que o Estado não possui hino oficial, ainda. Estou com o Nassif, o Tordilho Negro, Menino da Porteira possivelmente terão mais participação e aprovação dos torcedores.

Será que já não está na hora de nossos políticos acordarem e darem sequência no projeto de composição de um novo hino que tenha a ver com nossa gente? Vou declamar a última estrofe para encerrar minha fala de hoje: “O povo que é grande, mas não vingativo, que nunca a justiça e o direito calou, com flores e festas deu vida ao cativo, com festas e flores o trono esmagou! Quebrou-se algema do escravo, e nesta grande Nação é cada homem um bravo e cada bravo um cidadão”.

Por ora leio, releio e vejo o nosso hino sem alma, diz coisas sem ir em nosso âmago, em nosso alma. Sinto como se fosse um hino que não nos contempla. E você, o que pensa sobre o nosso hino?

Lembrando que isso é assim para mim hoje.

Beto Colombo

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