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Artigos

24/06/2013

Abraços e Armas

Abraços e Armas

Querido leitor, que você esteja em paz. Percebo que estou mais atento aos detalhes densos e sutis do cotidiano quando sinto a natureza dentro e fora de mim e quando leio frases pichadas nas praças, muros e pontes deste mundo de Deus. Não que eu seja a favor da depredação do bem público, mas curto muito as frases. Geralmente são instrutivas e nos remetem a uma boa reflexão e a grandes debates filosóficos.

Na viagem de estudos que fizemos recentemente à universidade Católica de Portugal, em Lisboa, onde um grupo de brasileiros foi estudar as influências do Iluminismo Português na cultura brasileira, tive a oportunidade de me deparar com uma dessas frases. Como nossas aulas iniciavam às 14 horas, tínhamos a parte da manhã para aproveitar para conhecer a região.

Portugal é lindo, mas será um tema para um próximo artigo. Hoje quero me ater a frase pichada no viaduto localizado às margens do rio Tejo, que dá acesso a pé a torre de Belém. Diz a frase: “Se todos derem as mãos, quem irá sacar as armas?”

Fato. Se todos nós pegarmos um na mão do outro num gesto de abertura, de ir ao encontro do outro, quem vai dar o soco, quem vai colocar o dedo em riste, quem vai apunhalar e até puxar a arma? Simples, muito simples essa frase. E profunda!

No dia 22 de maio foi comemorado o dia do abraço. Neste sentido, se nos abraçarmos, se encostarmos nossos peitos, se nos aproximarmos de corpo e de alma, quem vai sacar as armas? O abraço é o encontro de corpos, e o que é o cumprimento se não o abraço das mãos?

E o interessante dessa sabedoria popular que tem como palco as ruas, é a sua manifestação em forma de haicai. Um mundo de significado, de interpretações, signos e significados em poucas palavras. Algumas pichações se restringem a uma só palavra: “Amor”.

Lembrando que isso é assim para mim hoje.

Beto Colombo

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